LAHA/UFJF

Circulações, Produções e Restituições: História e formação de narrativas

O Laboratório de História da Arte da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) convida para participar do Grupo de Estudos “Circulações, Produções e Restituições: História e Formação de Narrativas”, um espaço coletivo e interdisciplinar de leitura, debate e reflexão crítica sobre colonialismo, museus, coleções e artes da África.

O grupo propõe-se a discutir os deslocamentos coloniais e pós-coloniais que moldaram as interpretações, significações e narrativas em torno das artes e culturas africanas, estimulando o diálogo com epistemologias africanas e pós-coloniais.

Cronograma de encontros (2025-2):

  • 22 de outubro – SANTOS, V. S. – A formação da Coleção Africana do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia (séc. XIX).
  • 26 de novembro – SOARES, Mariza de Carvalho – A construção da Coleção Adandozan do Museu Nacional.
  • 16 de dezembro – BEVILACQUA, Juliana Ribeiro da Silva – Histórias entrelaçadas: exposições de arte africana no MASP.
  • 21 de janeiro – COSTA, Karine Lima da. – A demanda pela restituição do patrimônio cultural.
    • MENEZES, P. Santos; ÁLVAREZ, E. Pinol – A descolonização dos museus e a restituição das obras de arte africanas: o debate atual na França.

Encontros mensais, das 19h às 21h (formato virtual).

O grupo é aberto a estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores interessados nos debates sobre colonialidade, descolonização, museus, patrimônios e narrativas artísticas não europeias.

Participe e contribua para a construção de olhares críticos e plurais sobre a circulação de objetos culturais e a valorização de epistemologias do Sul Global.

Haverá certificado para as pessoas que tiverem pelo menos 75% de presença das atividades!

Informações: moises.correa@ufjf.br

Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScJzn478NiQEeYI2pe-fPt45SyJhpiuSCg67hV4WoizP89JHg/viewform?usp=header

1. Justificativa

O colonialismo e suas persistentes formas de colonialidade moldaram profundamente a constituição, a circulação e a interpretação de objetos, acervos e narrativas acerca das sociedades e expressões culturais consideradas “não-europeias”. Essas dinâmicas, marcadas por assimetrias de poder, resultaram na consolidação de um campo historiográfico e museológico que frequentemente reforçou hierarquias raciais, culturais e epistemológicas, em detrimento da complexidade histórica e estética das produções africanas, ameríndias, asiáticas e de outros contextos.

Nesse sentido, torna-se urgente a criação de um espaço acadêmico de reflexão e debate crítico que possibilite o enfrentamento das heranças coloniais nas práticas de pesquisa, ensino e curadoria, explorando as dimensões históricas, estéticas, políticas e epistemológicas da produção de narrativas sobre artes e patrimônios.

O Grupo de Estudos “Circulações, Produções e Restituições: História e formação de narrativas”, vinculado ao Laboratório de História da Arte da UFJF, surge como resposta a essa demanda, tendo como recorte inicial, no semestre 2025-2, o debate de textos fundamentais que problematizam a relação entre África, História, colonialismo, museus, coleções e restituições.

2. Objetivos

Objetivo geral

Criar um espaço coletivo e interdisciplinar de leitura, discussão e reflexão crítica sobre os deslocamentos coloniais e pós-coloniais que moldaram as interpretações, significações e narrativas em torno das artes e culturas africanas.

Objetivos específicos

  • Debater textos acadêmicos recentes que abordam coleções, exposições e restituições de artes da África em perspectiva crítica;
  • Refletir sobre os conceitos de circulação, deslocamento, colonialidade e restituição no campo da História da Arte e da Antropologia;
  • Contribuir para a formação de estudantes e pesquisadores em diálogo com epistemologias africanas e pós-coloniais;
  • Ampliar a inserção do Laboratório de História da Arte da UFJF nos debates contemporâneos sobre museus, patrimônio e descolonização;
  • Estabelecer pontes com outras experiências de estudo e pesquisa voltadas para artes não europeias.

3. Metodologia

Os encontros do Grupo de Estudos ocorrerão mensalmente, de forma virtual, sempre das 19h às 21h, com base na leitura prévia dos textos selecionados.

A dinâmica de cada reunião incluirá:

  1. Breve apresentação contextual do texto e do(a) autor(a);
  2. Discussão coletiva conduzida por um mediador;
  3. Sistematização dos debates em relatórios, que poderão subsidiar futuras publicações ou atividades de extensão.

Além das leituras, será incentivada a interlocução com experiências museológicas, pesquisas individuais dos participantes e possíveis convidados externos.

4. Referencial Teórico

O eixo conceitual que fundamenta o Grupo de Estudos articula três dimensões:

  1. Colonialidade e epistemologias africanas e africanistas – A partir de “A ideia de África” (Mudimbe, 2022) e “A invenção da África” (Mudimbe, 2019), buscamos compreender como a construção ocidental sobre o continente produziu narrativas hegemônicas, e como estas vêm sendo desconstruídas.
  2. História da Arte global e descolonização – A obra “A arte dos mundos negros” (Lafont, 2023) abre espaço para refletir sobre historicidade, circulação e agência das artes africanas na constituição de debates globais.
  3. Circulações, objetos e museus – Autores como Arjun Appadurai (2010), Alfred Gell (1998), James Faris (1988), Rasheed Araeen (2005), Els Lagrou (2003), Maureen Murphy (2012), entre outros, fornecem arcabouço para repensar a agência dos objetos, a formação de coleções e os discursos museológicos.

Esse referencial será complementado pela bibliografia indicada (ver seção 7).

5. Resultados e impactos desejados

Formação acadêmica: estimular a leitura crítica e a reflexão teórica de estudantes de graduação e pós-graduação da UFJF e de outras instituições;

  • Produção intelectual: gerar sistematizações e relatórios que possam ser utilizados em disciplinas, projetos de pesquisa e extensão;
  • Fortalecimento institucional: consolidar o Laboratório de História da Arte da UFJF como polo de debate sobre as temáticas nais quais o Grupo de Estudos irá se debruçar;
  • Impacto social: contribuir para uma visão mais plural e crítica sobre a circulação de objetos culturais e para a valorização das epistemologias “subalternas/não hegemônicas/do Sul”;
  • Multiplicação: abrir caminho para a expansão do Grupo de Estudos em semestres posteriores, com foco em outras regiões e expressões artísticas não europeias.

6. Referências Bibliográficas

Textos dos encontros

SANTOS, V. S. A formação da Coleção Africana do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia, final do século XIX. “Afro-Ásia”, Salvador, n. 68, p. 176–213, 2023. DOI: 10.9771/aa.v0i68.53437.

SOARES, Mariza de Carvalho. A construção da Coleção Adandozan do Museu Nacional. In: SOARES, Mariza de Carvalho. “A coleção Adandozan do Museu Nacional Brasil-Daomé, 1818-2018”. Rio de Janeiro: Mauad X, 2022.

BEVILACQUA, Juliana Ribeiro da Silva. Histórias entrelaçadas: um panorama das exposições de arte africana no MASP. “MODOS”, v. 6, n. 1, p. 122–148, 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i1.8667204.

COSTA, Karine Lima da. A Demanda Pela restituição do patrimônio Cultural através das relações entre a África e a Europa. “Locus”, v. 26, n. 2, p. 193-209, 2020. DOI: 10.34019/2594-8296.2020.v26.31068.

MENEZES, P. Santos; ÁLVAREZ, E. Pinol. A descolonização dos Museus e a restituição das obras de arte africanas: o debate atual na França. “CSOnline”, n. 29, 2019. DOI: 10.34019/1981-2140.2019.26686.

Referencial teórico e bibliografia complementar

APPADURAI, Arjun (Org.). “A vida social das coisas: as mercadorias sob uma perspectiva cultural”. Niterói: EdUFF, 2010.

ARAEEN, Rasheed. Modernity, Modernism, and Africa’s Place in the History of Art of our Age. “Third Text”, Vol. 19, Issue 4, 2005, pp. 411–417.

ARRUTI, José Maurício; TRALDI, Alessandra; BORGES, Virginia. Dossiê Arte e Sociedade Indígena: diálogos sobre patrimônio e mercado. PROA, v. 1, n. 5, 2014.

BUONO, Amy. Seus tesouros são Penas de Pássaros: arte plumária Tupinambá e a imagem da América. “Figura”, v. 6, n. 2, 2018, pp. 13-29.

FARIS, James. “Art/artifact”: on the Museum and anthropology. In: DANTO, Arthur Coleman (ed.). “Art/Artifact: African Art in Anthropology Collections”. New York: Center for African Art, 1988.

GELL, Alfred. “Art and agency”: an anthropological theory. Oxford: Clarendon Press, 1998.

LAFONT, Anne. “A arte dos mundos negros”. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2023.

LAGROU, Els. Antropologia e arte: uma relação de amor e ódio. “Ilha – Revista de Antropologia”, v. 5, n. 2, 2003, pp. 93-113.

AVOLESE, Claudia de Mattos. Geography, Art Theory, and New Perspectives for an Inclusive Art History. “The Art Bulletin”, v. 96, n. 3, 2014, pp. 259-264.

MORSE, Anne Nishimura. Japanese art: evolving definitions. In: “Arts of Japan. MFA Highlights”. Boston: Museum of Fine Arts, 2008.

MUDIMBE, Valentin-Yves. “A ideia de África”. Petrópolis: Ed. Vozes, 2022.

MUDIMBE, Valentin-Yves. “A invenção da África”. Petrópolis: Ed. Vozes, 2019.

MURPHY, Maureen et al. Arts, violences, identités: l’apport des études postcoloniales. “Perspective. La revue de l’INHA”, Art et Pouvoir, n. 1/2012, p. 56-69.

RIELLO, Giorgio (org.). “Global Lives of Things”. Londres/Nova York: Routledge, 2015.

SAID, Edward. “Orientalismo”: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

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